terça-feira, 1 de março de 2011

Re: Fernando Catatau

Fernando Catatau (no centro da foto aí de cima) está em dois dos melhores discos lançados este ano. Um é "Uhuuu!", de sua banda Cidadão Instigado (os caras da foto). O outro é "Iê iê iê", de Arnaldo Antunes, no qual ele é o produtor.

Quatro perguntas para ele:

(contrariando a lição primeira de uma boa entrevista, com perguntas maiores que as respostas)

O trabalho do Cidadão Instigado, com todas as suas particularidades, segue uma tradição de abertura da música popular brasileira, que vem dos tropicalistas e foi retomada com força no fim dos anos 90, em trabalhos como o do Los Hermanos. É a ideia de que existe uma riqueza enorme além da fronteira do chamado "bom gosto". Qual é a sua relação pessoal, emocional, estética, filosófica com essa música representante, supostamente, do "mau gosto" do povo (sobretudo o cancioneiro romântico popular da década de 1970)?

Quando comecei a compor as músicas do que seria o Cidadão Instigado em 1994, parti de um princípio muito importante pra minha pessoa, que era o de fazer sempre o que me fosse mais verdadeiro dentro das minhas crenças. Essa foi a base do Cidadão. Essa relação com o lado romântico da música é simples. Sinto assim e faço dessa maneira. Não tenho relação estética ou filosófica com o cancioneiro popular dos anos 70. Gosto de música romântica, Pink Floyd, Legião, Raul, Bee Gees...

Esse cancioneiro vem atraindo um interesse crescente nos últimos 10 anos, mas algumas vezes a partir de um viés de humor, quase da paródia. Como você vê essa abordagem?

Ouvir uma música e se emocionar é algo muito grandioso. Tem gente que ri, outras que choram, algumas tiram onda. Eu gosto, e isso é o suficiente preu continuar escutando e achando que é musica boa.

O que há na música brasileira produzida hoje, nesse terreno ultrapopular, que te interessa?

Otto, Júpiter Maçã, Ponto de Equilíbrio, Alcione...

Nas letras de "Uhuuu!", as imagens se alternam entre uma certa dureza (com ou sem elementos lisérgicos) e uma ternura triste (nas românticas). A partir dessa percepção, gostaria de saber: como você vê o futuro?

O futuro é algo que não se consegue ver. A gente imagina, mas ver mesmo nao dá. Na minha cabeça, quando penso em futuro me vem uma imagem confusa. O que víamos nos filmes futurísticos hoje ja é fato. Ainda faltam os carros que voam, armas de raio laser, os ets chegando na terra... Fico imaginando quando várias coisas dessas acontecerem. Vai ser muito doido.

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