quarta-feira, 2 de março de 2011

Lobão cita o Cidadão Instigado


revistaepocasp.globo.com - O que trouxe você para São Paulo, há três anos?

Lobão - A decadência do Rio de Janeiro, que está num processo acelerado de provincianização. Uma ex-capital tende a se folclorizar em vez de se reinventar. Já São Paulo é o que há de mais próximo do Primeiro Mundo no Brasil. É a única cidade cosmopolita do país, mesmo com suas mazelas. O Rio virou o túmulo do rock. Aqui, há uma cena com potencial para virar algo histórico. Cachorro Grande, Cidadão Instigado, Nação Zumbi. Todo mundo veio para cá.

terça-feira, 1 de março de 2011

O grupo cearense Cidadão Instigado, que se apresenta no Rival + Tarde sábado, prepara o seu quarto disco

RIO - Uhuuu! O Cidadão Instigado vem aí. Afastado dos palcos cariocas desde 2009, quando lançou seu terceiro disco no Circo Voador, o grupo cearense, liderado pelo singular cantor, brilhante compositor e excepcional guitarrista Fernando Catatau, volta ao Rio no fim de semana, para um único show, sábado, às 23h30m, dentro do projeto Rival + Tarde.

No repertório, músicas de "Uhuuu!" - para muitos, o seu melhor trabalho - e também dos discos anteriores do grupo, "O ciclo da decadência" (2002) e "O método túfo de experiências" (2005), que consagraram seu estilo que une rock psicodélico e música popular. Catatau, que mora em São Paulo, diz que se inspirou no tom colaborativo da série Sonoridades, em cartaz este mês no Oi Futuro Ipanema, mas, tímido e evasivo, não revela quais as surpresas que preparou para o show do Cidadão no Rival.

- Acho que vamos ter alguns convidados, sim - diz ele. - Chamamos alguns brothers aí, mas ainda estamos vendo o que vai rolar. Devemos fazer alguns covers também, além de tocar músicas dos nossos três discos. Mas só na hora H mesmo vamos saber como vai ficar tudo.

Catatau está em estúdio. Mas (ainda) não é para gravar o sucessor de "Uhuuu!". Ele assina a produção do novo disco do pernambucano Siba (Sérgio Veloso), um dos criadores do grupo Mestre Ambrósio.

- Nós somos amigos há um tempão, e fiquei feliz com o convite dele para produzir o disco - explica Catatau. - Já estamos em estúdio há dois meses e temos um bom material pronto. Em breve, vamos partir para a mixagem e os acertos finais. Acho que o disco vai ficar muito bonito.

"
A gente já tem um bocado de composições novas para o próximo disco. Mas falta ensaiar esse material para logo depois entrar em estúdio. Por isso, ainda não sei direito como ele vai soar em relação aos outros discos, mas posso adiantar que deve ser bem rock. Sabe, tenho ouvido muito Black Sabbath...
"
--------------------------------------------------------------------------------
.Quando colocar a tampa no disco do amigo, Catatau - que se diz curioso para ouvir as inovações do americano Flying Lotus - vai partir para o desafio de criar um sucessor à altura de "Uhuuu!". Se os dois primeiros discos do Cidadão Instigado mostravam um diamante pronto para ser lapidado, o elogiado "Uhuuu!" - que teve as participações de Edgard Scandurra e Arnaldo Antunes - brilhou intensamente ao derrubar barreiras em torno do conceito de "brega", absorvendo psicodelia, Roberto Carlos, Santana, Pink Floyd, surf music e Neil Young no percurso.

- A gente já tem um bocado de composições novas para o próximo disco - adianta Catatau. - Mas falta ensaiar esse material para logo depois entrar em estúdio. Por isso, ainda não sei direito como ele vai soar em relação aos outros discos, mas posso adiantar que deve ser bem rock. Sabe, tenho ouvido muito Black Sabbath...

Re: Fernando Catatau

Fernando Catatau (no centro da foto aí de cima) está em dois dos melhores discos lançados este ano. Um é "Uhuuu!", de sua banda Cidadão Instigado (os caras da foto). O outro é "Iê iê iê", de Arnaldo Antunes, no qual ele é o produtor.

Quatro perguntas para ele:

(contrariando a lição primeira de uma boa entrevista, com perguntas maiores que as respostas)

O trabalho do Cidadão Instigado, com todas as suas particularidades, segue uma tradição de abertura da música popular brasileira, que vem dos tropicalistas e foi retomada com força no fim dos anos 90, em trabalhos como o do Los Hermanos. É a ideia de que existe uma riqueza enorme além da fronteira do chamado "bom gosto". Qual é a sua relação pessoal, emocional, estética, filosófica com essa música representante, supostamente, do "mau gosto" do povo (sobretudo o cancioneiro romântico popular da década de 1970)?

Quando comecei a compor as músicas do que seria o Cidadão Instigado em 1994, parti de um princípio muito importante pra minha pessoa, que era o de fazer sempre o que me fosse mais verdadeiro dentro das minhas crenças. Essa foi a base do Cidadão. Essa relação com o lado romântico da música é simples. Sinto assim e faço dessa maneira. Não tenho relação estética ou filosófica com o cancioneiro popular dos anos 70. Gosto de música romântica, Pink Floyd, Legião, Raul, Bee Gees...

Esse cancioneiro vem atraindo um interesse crescente nos últimos 10 anos, mas algumas vezes a partir de um viés de humor, quase da paródia. Como você vê essa abordagem?

Ouvir uma música e se emocionar é algo muito grandioso. Tem gente que ri, outras que choram, algumas tiram onda. Eu gosto, e isso é o suficiente preu continuar escutando e achando que é musica boa.

O que há na música brasileira produzida hoje, nesse terreno ultrapopular, que te interessa?

Otto, Júpiter Maçã, Ponto de Equilíbrio, Alcione...

Nas letras de "Uhuuu!", as imagens se alternam entre uma certa dureza (com ou sem elementos lisérgicos) e uma ternura triste (nas românticas). A partir dessa percepção, gostaria de saber: como você vê o futuro?

O futuro é algo que não se consegue ver. A gente imagina, mas ver mesmo nao dá. Na minha cabeça, quando penso em futuro me vem uma imagem confusa. O que víamos nos filmes futurísticos hoje ja é fato. Ainda faltam os carros que voam, armas de raio laser, os ets chegando na terra... Fico imaginando quando várias coisas dessas acontecerem. Vai ser muito doido.