terça-feira, 23 de novembro de 2010

CABRA INSTIGADO

O reverenciado compositor e guitarrista Fernando Catatau é o vórtice pensante da banda cearense Cidadão Instigado, grupo que com muito arrojo reuniu a psicodelia tão cara ao rock com o cancioneiro brega dos anos 1970 e se tornou uma das grandes bandas da atual geração roqueira nacional. Sua produção se divide em três discos seminais: O Ciclo da Decadência, Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências (da cintilante canção Noite Daquelas) e o recente Uhuuu!!! (cujo título é um termo muito usual entre os surfistas e Catatau foi um praticante de body board).

Cidadão Instigado estará em Florianópolis para a noite de encerramento do Festival Floripa Noise, na próxima quarta-feira, no John Bull Pub. Este episódio entrega uma outra faceta da personalidade forte de Catatau: é um cabra de palavra. Na edição passada do mesmo evento, a vinda da banda acabou cancelada de última hora pela produção por questões de custos. E naquela mesma ocasião, Catatau lamentou o fato lá no “falecido” Blog do Marquinhos (hoje ContraVersão), mas avisou: “A gente quer tocar aí e iremos o mais breve possível”. Promessa cumprida!

Na semana passada ele concedeu, por e-mail, uma entrevista ao ContraVersão.

ContraVersão _ Primeiro, tu és um cabra de palavra. Lembro que, no ano passado, o Cidadão foi convidado para esse mesmo Floripa Noise, mas na última hora a vinda de vocês acabou “abortada” por aqui. E tu disse que tinha muita vontade de tocar aqui e que o faria…Aquela situação te frustrou?

Fernando Catatau _ Tô achando muito bom estar indo agora. Sei que tudo tem seu tempo e agora é a melhor hora. Passamos o ano todo tocando Uhuuu!!! e acho que agora o estamos executando bem. Vai ser bem massa tocar com o Cidadao pela primeira vez em Floripa.

ContraVersão _ E aí, como foi a experiência com o SWU Festival? Houve quem apontasse a performance de vocês e do Otto como as melhores do evento…

Catatau _ Eu gostei bastante. Tava dificil acertar o som por causa do tempo, pois festival com varias bandas é sempre mais complicado, mas nos finalmente acho ate que nos saimos bem.

ContraVersão _ Depois de Uhuuu!!!!, o que vocês estão tramando em termos de discos?

Catatau _ Já tenho quase todas as musicas do próximo disco, mas ainda tem um processo grande ate comecarmos a gravar. Por enquanto ainda não dá pra falar muito.

ContraVersão _ Você é um músico conhecido pelo uso criativo da guitarra, tirando sons que fogem dos clichês do instrumento. Como você desenvolveu seu estilo e quais guitarristas são suas referências?

Catatau _ Eu, antes de mais nada, sou apaixonado por guitarras. Passo o tempo inteiro atrás de achar um instrumento que seja perfeito pra mim, mas nunca acho.Gosto dessa procura, mas na maioria das vezes é meio frustrante. Enfim…gosto de vários guitarristas: Robert Smith (The Cure), Santana, Hendrix, Tony Iommi, Jimmy Page, Dave Murray, Adrian Smith e por ai vai…

ContraVersão _ O Cidadão Instigado bebe muito da fonte da música brega dos anos 1970. Alguma coisa de música brega produzida hoje em dia te chama a atenção?

Catatau _ Acho que o que mais me interesso de música na maior parte do tempo é rock. Gosto de Roberto Carlos, Fernando Mendes, Eliane…pois esses fizeram parte do meu crescimento musical e emocional, mas não me apego muito ao clichê do estilo. Não lembro de nada que tenha me interessado atualmente, mas sei que tem gente fazendo coisa muito boa por ai, e principalmente sem querer ser engraçado. Esses eu queria ouvir.

ContraVersão _ Na música Homem Velho você diz que queria ver Neil Young dançado reggae em uma barraca em Canoa Quebrada. De onde surgiu essa imagem? Você chegou a ouvir o disco novo dele, Le Noise?

Catatau _ Tenho uma admiração imensa por tudo que ele já fez na música e por ainda estar na resistência até hoje. Eu ouvi o último disco, e é bem foda. Caras como ele me fazem ter vontade de continuar tocando. Quando fiz a música Homem Velho foi pensando em como seria massa ele estar na canoa quebrada dançando um reggae, curtindo com uma gata todo apaixonado. Essas coisas que eu gosto muito de fazer e que por gostar muito dele queria que ele tambem sentisse a mesma emoção.

ContraVersão _ Você foi um dos poucos artistas que resolveu peitar o esquema da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) ao criticar o não pagamento de cachês às bandas. Isso, de alguma forma, trouxe algum tipo de “represália” à banda?

Catatau _ Não mudou muito a nossa vida. Continuamos trabalhando pra caramba e ate já tocamos em alguns festivais filiados a Abrafin. É como falei, se tratam a gente bem e nos pagam devidamente a gente vai.

ContraVersão _ Como pintou a ideia de compor Noite Daquelas?

Catatau _ Noite Daquelas foi a segunda música que fiz do Cidadão. Eu estava um dia numa festa la na Praia do Futuro(em Fortaleza) e não conseguia gostar de nada. De repente apareceram alguns amigos e começamos a trocar ideia e a noite ficou boa. Escrevi a letra pra falar que as vezes é muito fácil achar um momento bom na vida e a gente fica sempre a complicar. Essa procura da grandiosidade é meio fajuta. Se quiser simplificar pode.

ContraVersão _ Cara, e essa história que você praticava bodyboard? Ainda arrisca umas caídas na água?

Catatau _ Eu surfei muito tempo da minha vida, e por ser de Fortaleza tinha as facilidades. É até difícil ser adolescente em cidade de praia e não tentar cair no mar. Eu gostava muito, mas hoje moro em São Paulo e fica mais difícil. Sempre penso em voltar a surfar. quem sabe um dia rola.

* Com a colaboração do amigo Gabriel Rocha!

(Postado por marcos_espindola, às 18:32, 19 de novembro de 2010, http://wp.clicrbs.com.br/contraversao/)

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