sábado, 2 de outubro de 2010

Cidadão Instigado

Por Bruno Natal

No dicionário do cearense Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado, o verbete do termo que ele criou para batizar o método de composição do segundo disco da banda, “Cidadão Instigado e método túfo de experiências” (Slag Records/Selo Instituto) seria esse:

Túfo subst./adj. 1. Fazer algo sem pensar demais. 2. Duma vez. 3. Experiências vomitadas.

O termo serve também para definir a mistura de estilos quase inconseqüente feita pela banda. Psicodelia, teatro, rock, brega, música eletrônica, cinema, ritmos nordestinos... A lista é longa. E, apesar de parecer improvável, funciona.

Nome em ascensão, Catatau tem diversas participações e parcerias com nomes conhecidos no currículo. Tocou guitarra nos últimos discos da Nação Zumbi (“Futura”) e Los Hermanos (“4”), acompanhou o Los Sebosos Postizos (projeto paralelo de Jorge Du Peixe, Lucio Maia e Dengue, só de versões de clássico de Jorge Ben), DJ Dolores, Eddie, Otto, entre outros.

Além disso, Catatau compôs, produziu e arranjou “Cidadão Instigado e o método túfo de experiências”, um dos melhores lançamentos de 2005. A bolacha capricha nas músicas climáticas (várias delas passando dos cinco minutos, a bela “O tempo” passa dos sete) e nos temas inusitados como “O pinto de peitos”, “O pobre dos dentes de ouro “ e ”Os urubus só pensam em te comer”.

Apesar das evidências, não se trata de uma banda de um homem só. Catatau faz questão de ressaltar a participação dos companheiros de banda Regis Damasceno (guitarra, violão e voz), Rian Batista (baixo), Clayton Martim (bateria acústica e eletrônica) e Marcelo Jeneci (teclado) no resultado final da sonoridade final.

Depois de muitos shows pelo Brasil, a banda finalmente chega ao Rio para mostrar aos cariocas o tal método túfo. Difícil saber exatamente o que esperar de uma banda tão criativa quanto o Cidadão Instigado ao vivo. Certamente é coisa fina.

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