sábado, 4 de setembro de 2010

Líder do Cidadão Instigado imaginou Neil Young dançando reggae para compor

(Guitarrista Fernando Catatau fala ao G1 sobre o novo álbum, 'Uhuuu!'. Terceiro disco da banda cearense tem participação de Arnaldo Antunes. Lígia Nogueira Do G1, em São Paulo, 08/09/09 - 08h00 - Atualizado em 08/09/09 - 17h41)

Há quem diga que a banda cearense Cidadão Instigado tenha encontradado o equilíbrio em seu novo disco, “Uhuuu!”. De fato, nesse trabalho estão todos os elementos presentes em “O ciclo da de.cadência” (2002) e “O método túfo de experiências” (2005), que consagraram o grupo no cenário alternativo nacional. Se aqui o experimentalismo abre espaço para melodias mais pop, ainda há uma boa dose de psicodelia, tanto na música quanto nas letras.

Bom exemplo é “Homem velho”, que surgiu quando o líder Fernando Catatau imaginou o músico canadense de country-rock Neil Young, 63, dançado reggae. O episódio gerou um mal-entendido que fez com que um jornal noticiasse erroneamente uma “parceria” entre os dois artistas. “Isso foi engraçado”, diz. “Sou muito fã dele e teve uma época em que eu estava ouvindo muito os seus discos. Resolvi homenageá-lo nessa letra, pois mesmo sem conhecê-lo sempre tive a impressão de que ele é trancado, carrancudo”, conta o cantor, guitarrista e tecladista.

A receita que constitui a alma da banda, feita a partir de timbres distorcidos de guitarra e vocais românticos à moda do cantor Odair José, foi sendo apurada ao longo dos anos. Catatau, que já tocou com Otto e Vanesa da Matta, mora em São Paulo desde 2000, mas cresceu em Fortaleza ouvindo baladas roqueiras bregas.

“Nos anos 70 ouvia música brasileira em casa e coisas mais regionais, bem direcionadas. Na década seguinte começou a febre internacional e acho que todo mundo que viveu aquela época tem isso na memória, é algo natural. A gente ia para a beira-mar e sempre rolava música romântica”, diz o ex-surfista de bodyboard cujo gosto eclético vai de Raul Seixas a Pink Floyd, passando por “rock em geral” e reggae.


Além de Catatau, o Cidadão Instigado reúne Regis Damasceno (guitarra, guitarra sintetizada e vocal), Rian Batista (baixo e vocal), Clayton Martin (bateria e programações), Dustan Gallas (teclado e vocal) e Kalil Alaia (técnico de som e efeitos). O novo disco tem várias participações especiais: Arnaldo Antunes, que teve seu mais recente álbum, “Iê iê iê”, produzido por Catatau, empresta sua voz a “Doido” e “O cabeção”; já Edgard Scandurra faz vocais em “Dói”.

Tiquinho (trombone), Hugo Hori (saxofone alto) e Reginaldo (trompete) tocam os metais, bastante presentes no álbum. Marco Axé, que assim como Catatau, é integrante da banda de Otto há oito anos, é responsável pelas congas em “Homem velho” e “O cabeção”. Karina Buhr, integrante do Comadre Fulozinha, toca pandeirola em “Como as luzes”.

'Doido'

“O Arnaldo Antunes me chamou para produzir o disco dele e aí começamos a nos conhecer melhor”, diz Catatau. “A participação dele nas faixas foi algo bem natural. Tinha uma parte das músicas que não conseguia se resolver, elas pediam algo que nenhum de nós tinha a oferecer. Eu disse pro Arnaldo o que era e ele foi fazendo. Foi bem improvisado, um lance de sintonia mesmo.”

Loucura, aliás, é tema recorrente na obra do Cidadão Instigado. Catatau diz que já passou por momentos difíceis. “Hoje dou muito valor ao meu juízo”.

Tanto que a sonoridade da sua guitarra já se tornou uma assinatura – como prova a faixa “Espaçonave”, presente no recém-lançado “Vagarosa”, segundo álbum da cantora Céu. “Só toco com quem eu gosto e ter feito uma carreira com isso me deixa bem feliz. Com a Vanessa da Matta o que eu tinha de fazer era colocar as notas no lugar certo, mas também consegui imprimir minha história. Aos pouquinhos, fui me organizando.”

Para ele, “Uhuuu!”, como indica o nome, é “um disco mais pra cima, por mais que tenha um monte de coisa tensa no meio”. “A gente sabia que ia ser um disco de canção, e isso foi natural. Já tinha as músicas prontas quando cheguei à conclusão que o título só poderia ser esse.”

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