sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cidadão Instigado

Crédito: Alisson Louback ,25/03/2006, http://www.popup.mus.br

Fernando Catatau não sabe que ele está na moda. Mas, no último show do Los Hermanos no Recife, antes da banda entrar no palco, todos cantavam em coro e dançavam com as mãos as músicas do Cidadão Instigado. Hoje, uma banda que não toca mais na rádio, nem aparece na MTV, já não espanta mais quando encontra tantos fãs assim. Nessa lógica surpreendente da Internet, Catatau e sua banda de Fortaleza chegam como uma das principais atrações nacionais na programação de um Abril pro Rock que não aposta mais no sucesso fácil das grandes gravadoras.

Não é a primeira vez que o Cidadão Instigado toca no Abril. Eles estiveram presentes no palco menor em 2002, com o ainda pouco expressivo primeiro disco. Daquele tempo pra cá, a carreira do líder da banda Fernando Catatau virou o próprio Cidadão Instigado. Virou presença fundamental em algumas bandas que passeiam no universo pop jovem. “Hoje eu toco fixo apenas com o Otto e Vanessa da Mata. No Abril também vou tocar com Lúcio Maia na banda Maquinado, mas já toquei até com o Los Hermanos”. Fernando Catatau hoje mora em São Paulo e deu a entrevista por telefone.

“O Cidadão Instigado é a minha banda mesmo, minha prioridade. Estou sempre viajando com esse outro pessoal, mas dou prioridade a minha agenda”, explica. A música do Cidadão é complicada de colocar em palavras. São interferências eletrônicas que se encontram com trechos de MP3 e poesias que falam que “todas as vacas estão loucas / e os urubus só pensam em te comer”. E está fazendo um sucesso enorme na Internet, nas rádios alternativas e onde mais encontra espaço.

“Eu sei que tem uma galera falando, mas não tenho idéia de quanta gente. Sei que o disco está circulando na Internet, mas eu nem ligo pra isso. A divulgação que a gente tem hoje é meio complicada mesmo”, comenta Catatau. Na já clássica lógica do mercado de música, a som do Cidadão Instigado fez sucesso primeiro no Sudeste, onde eles acabaram fechando o lançado do “Método Tufo de Experiências”, nome do disco, pela Slag Records.

“Antes todo mundo lá achava que a gente era de Recife”, diz já rindo. “Quando você fala Nordeste, o pessoal lá já assume que é do Recife ou Salvador”, completa. O que justifica a confusão é que, até hoje, o Cidadão Instigado só se apresentou em Fortaleza duas vezes. Nessa caminhada lenta para o Nordeste, eles se apresentaram fim de semana passado em Maceió. “Tá rolando legal os shows, devagar, mas tá aparecendo”, avalia.

Parte do movimento migratório dos artistas do Nordeste, Catatau não faz nem drama quando o assunto é mudar para São Paulo. “Sempre foi e sempre vai ser [melhor].Em Fortaleza a gente não tem trampo e aqui tem muito mais coisa acontecendo que lá. Até pensei em mudar para o Recife, mas não funciona, pelo menos não pra mim”, avalia. “Aqui tem circuitos do Sesc, espaços culturais, acho até que meu jeito de tocar agrada mais gente aqui do que em Fortaleza”.

Abril
No Recife, o Cidadão Instigado chega como uma banda totalmente diferente da que foi apresentada em 2002. “A maioria das músicas que a gente tá tocando é do Tufo (o disco novo). No máximo umas duas músicas do anterior”, adianta Fernando Catatau. Eles chegaram a fechar a presença no festival Recbeat, mas acabou não acontecendo. “Eu até entendo, porque a equipe da gente não é tão pequena, não tem facilidade de transportar”, reflete. A banda se apresenta no domingo do Abril pro Rock.

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