domingo, 29 de agosto de 2010

Edgard Scandurra e Cidadão Instigado se apresentam em Caxias, nesta quinta

Shows ocorrem no UCS Teatro Siliane Vieira | siliane.vieira@pioneiro.com (27/05/2010 | 06h10min | http://www.clicrbs.com.br)

Duas gerações do rock brasileiro se encontram no UCS Teatro, em Caxias do Sul, nesta quinta-feira, a partir das 20h. O projeto cultural Na Área traz à Serra os instrumentistas e compositores Fernando Catatau, que se apresenta à frente de sua banda, Cidadão Instigado, e Edgard Scandurra, que faz apanhado musical de seus mais de 25 anos de carreira.


A iniciativa, patrocinada pelo programa Natura Musical, já passou por Caruaru e Campina Grande. O objetivo é levar cultura a preços populares para circuitos universitários, em cidades fora do eixo formado pelas grande capitais.

Ingressos custam R$ 5 e mais um quilo de alimento ou um agasalho. A venda é feita na sede do DCE, no Centro de Convivência da Universidade de Caxias do Sul.

Leia a reportagem completa no Pioneiro desta quinta-feira.

Confira na íntegra as entrevistas com Fernando Catatau e Edgard Scandurra, ambas concedidas ao Pioneiro por e-mail.

Pioneiro: Como começou sua história de amor com a guitarra?
Fernando Catatau: Quando eu tinha 13 anos, um amigo me deu uma fita do Pink Floyd, e foi aí que começou minha história com o rock e, automaticamente, com guitarras. Lembro que, na época, ganhei uma Giannini Les Paul. Tentei tocar, até montei uma bandinha, mas não me garanti muito, daí abandonei a música e fui andar de skate, surfar. Aos 18 anos, eu voltei a tocar e comprei uma Gibson SG que ficou comigo por 15 anos, daí comecei a comprar outras guitarras e virou meio que um vício desgovernado que não parou nunca mais.

Pioneiro: Sintetizar ideias é muito ruim, principalmente quando se trata de arte. Mas, é possível definir em algumas frases o som que o Cidadão Instigado faz?
Fernando Catatau: Rock nacional.

Pioneiro: São três álbuns lançados. Como você avalia a trajetória musical da banda até agora?
Fernando Catatau: Acho que a gente está num caminho bom. Sempre acreditei na homeopatia musical. Hoje temos um trabalho que vai aos poucos se firmando por estarmos ligados aos nossos ideais do começo. Nunca precisamos mudar nada para ter que agradar mercado. O que acho mais massa é que gostamos muito de tocar juntos. Esse, a meu ver, é o ponto principal da banda. São 3 discos, 14 anos de estrada. Então está tudo certo.

Pioneiro: O que a experiência de tocar com artistas como Vanessa da Mata, Otto, Arnaldo Antunes, Karina Buhr, Coletivo Instituto e Los Hermanos agregou ao seu trabalho?
Fernando Catatau: Eu sempre tentei aprender com os outros trabalhos que eu ia fazendo. É muito diferente tocar no Cidadão, que é algo muito pessoal e que dá e tira minha liberdade toda hora. Com outras pessoas eu tenho que me policiar muito para não gritar a mais do que o necessário. Minha escola foi tocar com toda essa galera, e é só gente que eu gosto muito.

Pioneiro: O que ou quem te inspira como músico e compositor?
Fernando Catatau: Pink Floyd, Raul Seixas, Black Sabbath, Alice Cooper, Santana, Led Zeppelin, Roberto Carlos, Bob Marley, Alcione, Richie Ravens, Neil Young, Bee Gees. Tem mais um monte.

Pioneiro: O que você está achando da experiência de tocar fora das grandes capitais com o Scandurra e qual sua expectativa para o show em Caxias?
Fernando Catatau: Acho massa. Tocamos em Campina Grande e Caruaru e agora indo para o sul. Longe dos grandes centros. Tocando para a galera das universidades. Espero que tenha uma galera que curta rock e esteja interessada em ver os shows, pois, se depender da gente, o show vai ser no gás total.

Pioneiro: Quais são os próximos projetos do Cidadão Instigado e seus?
Fernando Catatau: Já tenho pensado no próximo disco do Cidadão. Devemos sentar para conversar no próximo semestre. Conversando também sobre um possível DVD. Tenho meu projeto novo, Fernando Catatau e o Instrumental, que devo começar a gravar em breve. Estou gravando a trilha do longa Transeunte, do Erik Rocha, e pretendo continuar tocando com o povo que gosto.

Pioneiro: O que tem ouvido ultimamente? Tem alguma dica de som para os leitores
Fernando Catatau: Led Zeppelin e Alice Cooper. Acabei de ouvir o disco novo do Guizado, que tá massa.

Pioneiro: Do menino que aprendeu a tocar canções da jovem guarda no violão, ao adolescente que foi tomado pela energia do punk rock, até Benzina, quem é o Edgard Scandurra hoje?
Edgard Scandurra: Sou um cara que vive música 24 horas por dia e que, graças a minha história e meus trabalhos, consegue circular por muitas tribos musicais, da música popular brasileira, do rock, da música eletrônica, experimental, regional, enfim, tenho todas as portas abertas para usar a minha guitarra e minhas ideias a favor da música. Tenho muitos planos e sou feliz por, de uma maneira ou de outra, conseguir realizá-los um a um.

Pioneiro: Seu primeiro álbum solo completou 20 anos e o aniversário inspirou um DVD, certo? Como foi fazer este trabalho repleto de participações?
Edgard Scandurra: Foi uma realização pessoal poder tocar com tanta gente de qualidade incontestável e poder, finalmente, juntar os meus trabalhos num só show passeando por Ira!, Amigos Invisíveis, Benzina e canções inéditas. Parecia que nos tempos do Ira! meus trabalhos solos caminhavam em sentido oposto ao da banda. Hoje, consigo dar uma só direção aos diversos projetos que faço.

Pioneiro: O que te mantém inspirado como músico e compositor?
Edgard Scandurra: A forma como eu toco e componho e como as minhas influências agem em mim, me inspiram sempre a fazer algo que seja revolucionário na música. Esse ideal não morre em mim.

Pioneiro: A importância do Ira! na história do rock nacional é inegável. Na sua opinião, quem está escrevendo esta história hoje?
Edgard Scandurra: Hoje, sem gravadoras, a história é marcada por muitos artistas de muitos guetos diferentes que alcançam sucesso de maneiras democráticas e tecnológicas. É capaz de uma cantora explodir por causa de um vídeo no youtube, ou uma canção no myspace, ou por um trabalho midiático no facebook, ou por outras fontes, sem que o público tome muito conhecimento, sem alarde jornalístico ou sem promoções nas FMs. Isso torna uma tarefa difícil saber quem está escrevendo a história musical hoje em dia. Mas, de uma coisa eu tenho certeza, as mulheres tomaram a frente nessa década e muitas cantoras e compositoras incríveis vêm aparecendo, para o meu agrado, pois sou um entusiasta da maneira feminina de ser.

Pioneiro: O que você está achando da experiência de tocar fora das grandes capitais com o Catatau e sua trupe?
Edgard Scandurra: Fico muito feliz em poder dividir essa turnê com o Cidadão Instigado, banda que eu admiro e me identifico com a sua proposta de trilhar os caminhos musicais através da guitarra.

Pioneiro: Dá para adiantar um pouquinho de como será o repertório deste show em Caxias?
Edgard Scandurra: Tocarei músicas inéditas, músicas do Benzina, Amigos Invisíveis e algumas músicas do Ira!, que eu acho que tem a ver com meu momento.

Pioneiro: Quais são seus próximos projetos?
Edgard Scandurra: Farei um disco com Arnaldo Antunes, somente nós dois, guitarra, voz e bumbo. Estou acompanhando uma excelente cantora, Karina Buhr, tenho um projeto de músicas francesas chamado Les Provocateurs, toco na banda de Arnaldo Antunes em seu projeto Iê Iê Iê, tenho o projeto Pequeno Cidadão, para as crianças, e estou apenas começando minha turnê desse DVD que será lançado muito em breve. Devo estar esquecendo de algo. Também gravei com a Elza Soares em um disco que homenageia Itamar Assunção, estou fazendo uma trilha para uma premiação da Editora Abril, enfim, com o final do Ira!, muitas portas se abriram para mim e eu visito todas.

Pioneiro: O que tem ouvido ultimamente? Tem alguma dica de som para os leitores, seja de artistas atuais ou antigos?
Edgard Scandurra: Descubram Serge Gainsbourg, Eric Satie, Charlotte Gainsbourg e Karina Buhr e vejam como existe muita coisa além das informações que o pop americano procura nos mostrar.

Pioneiro: Há alguma chance de retorno do Ira!?
Edgard Scandurra: Não. Nenhuma chance.

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