sexta-feira, 7 de maio de 2010

Entrevista: Fernando Catatau, do Cidadão Instigado

Líder da banda conta como começou na música e comenta o disco novo, Uhuuu!

(Por: Mariana Morais, segunda-feira, 07 dezembro, 2009 - 08h00, Brasil / Magazine)

Fernando Catatau é guitarrista, cantor e compositor, fã de Robert Smith (The Cure), Santana, Jimmy Hendrix e David Gilmour (Pink Floyd), faz rock´n roll psicodélico no Brasil cheio de originalidade. Vira e mexe ainda deixa escapar uma pegada romântica nas letras. Fernando Catatau é um turbilhão.

Líder da banda Cidadão Instigado desde 1996, este cearense de Fortaleza acaba de alçar novo voo ao lado de seus companheiros Regis Damasceno (guitarra, guitarra sintetizada e vocal), Rian Batista (baixo e vocal), Clayton Martin (bateria e programações), Dustan Gallas (teclado e vocal) e Kalil Alaia (técnico de som e efeitos). Trata-se de Uhuuu!, um disco pra cima, otimista, cheio de participações especiais - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Hugo Hori, Karina Buhr, só para citar alguns. Tanta alegria é provável reflexo de um bom momento da vida de Catatau. "Cada um (disco) mostra um tempo que eu estava vivendo. É muito pessoal, acho que é uma continuidade da minha vida", conta.

Para quem não lembra, o primeiro trabalho do Cidadão foi O Ciclo da De.cadência, de 2002. Depois, veio Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências, em 2005 e, agora em 2009, o Uhuuu!, que foi um dos vencedores do Prêmio Pixinguinha.

Antes do Cidadão Instigado, Fernando Catatau teve duas bandas (Ultra-Leve e Companhia Blue) em que tocava com amigos. Quando se profissionalizou, fez parte das bandas de Vanessa da Matta, Otto e Zeca Baleiro. Avesso a rótulos, o cara gosta mesmo é de rock e de cantar a poesia que escreve, sem essa de "ser experimental" ou "não ser experimental". Não segue padrões, é intenso, sensível e, acima de tudo, ele mesmo. Em entrevista ao ObaOba, ele conta um pouco de suas origens, do começo do Cidadão Instigado e do trabalho mais recente, Uhuuu!.

Como você começou a tocar?

Comecei a tocar aos 13 anos, gostava de rock e tinha umas aulas de guitarra que logo larguei para surfar. Só em 1990, voltei a ter contato com música, quando vi um amigo tocando. Montamos uma banda de nome "Companhia Blue" e foi assim - com os meus amigos, aprendi um monte de coisa que sei hoje. Em 2000, comecei a tocar profissionalmente quando o Otto me chamou pra tocar com ele.

Você lembra qual foi o primeiro disco que teve?

Meus primeiros discos foram da Eliane (a rainha do forró), Alípio Martins, Carlos André e um do Roberto Carlos, que tinha a música "A Guerra dos Meninos". Só aos 13 anos que eu tive meu primeiro contato com rock: foi quando ganhei uma fita do Pink Floyd, um grande marco na minha vida.

Quando você descobriu que podia e queria ser músico profissional?

Eu sempre quis viver de música, ficava sonhando em poder fazer vários shows com uma banda. Minha vida profissional se encaminhou naturalmente, já tive vários momentos de dúvidas sobre o que eu queria fazer, já cheguei ao ponto de quase desistir de tocar para fazer outra coisa, mas continuo tocando até hoje.

O Cidadão Instigado existe há 10 anos. Como surgiu a banda?

Em 94 eu comecei a compor as primeiras músicas do Cidadão e só em 96 montei a banda. Comecei a compor baseado nas coisas que eu estava vivendo nessa época, que foi quando vim para São Paulo tentar a vida com música.

Como você chegou à formação atual do Cidadão Instigado?

A formação atual do Cidadão já tem uns 6 anos. Acho que fechamos essa formação pouco antes das gravações do Método Túfo... e estamos até hoje. O bom de tocar junto esse tempo todo é que fica fácil de entender o pensamento um do outro.

Os três discos da banda são bem diferentes entre si, qual é a principal diferença que você sente entre os três e, especificamente, no Uhuuu!?

Cada um mostra um tempo que eu estava vivendo. É muito pessoal, acho que é uma continuidade da minha vida. O Ciclo da De.cadência é bem carregado de informações, o Método Túfo... é uma busca minha pela simplicidade, uma tentativa de tirar todo o excesso que tinha no anterior. Já o Uhuuu! é como se tivesse equalizado os dois lados: tem canções, mas tem partes mais psicodélicas também.

Qual o conceito desse disco?

Eu vou compondo, não tenho um conceito fechado... Fui juntando algumas músicas que já tinha e compondo outras. No final ficou assim.

O Cidadão Instigado põe surpresas a cada disco. O que você colocou de novo nesse disco?

Para mim é tudo tão pessoal que não percebo se tem algo de novo. Vejo o Uhuuu! como uma continuidade do nosso trabalho. Fiquei muito feliz com o resultado final, soa como a banda é ao vivo.

Até que ponto você acha que é possível fazer música experimental e ser popular?

Acredito que o "ser popular" venha de algo que cai no gosto do povo. Se uma música, seja ela de qualquer estilo, consegue chegar às pessoas em geral e essas pessoas passam a gostar, vira popular. O lance é que é difícil o acesso ao conhecimento, música é emoção e cada pessoa se emociona de uma maneira.

As letras são muito fortes no trabalho do Cidadão Instigado. O que te inspira a escrever e como você alia isso às melodias?

O que me inspira para escrever é minha vida e minhas experiências. Vejo o que a letra pede e faço a melodia que se encaixe...

Tenho a sensação que você "vomita" os discos. A composição é muito visceral. É isso mesmo ou você planeja tudo?

Tenho vários momentos de composição. Às vezes estou sem fazer nada e sai uma música em um minuto, mas já cheguei a ficar 8 anos sem conseguir fechar uma canção... Varia muito, dependendo do assunto. Mas, no geral, acho que planejo bastante.

Podemos chamar o som do Cidadão de um rock progressivo misturado com brega?

O som do Cidadão é um rock de vários segmentos. Se misturo um pouco de regionalismo é porque tenho isso na minha veia, mas a veia principal é o rock mesmo. Já o brega, para mim não é brega - é apenas o meu lado romântico.

Seu trabalho como guitarrista de outros artistas (como Vanessa da Mata e Otto) te influencia de alguma maneira?

Me influencia totalmente! A cada trabalho que eu faço, mudo um pouco meu jeito de tocar. Você tem que ir se adaptando aos trabalhos. No Cidadão, não toco do mesmo jeito que toco com o Otto mas, ao mesmo tempo, tenho meu jeito de tocar que acaba ficando impresso de alguma maneira em cada trabalho. O grande lance é você se colocar, saber que de vez em quando é preciso tocar menos para poder ser realmente percebido.

Eu li que você gosta de música triste e que música feliz dá agonia. É verdade?

O que eu gosto são de músicas com harmonias menores, não que eu goste de tristeza... É uma questão musical. Tem as que me emocionam mais, mas é uma coisa com o sentimento musical mesmo...

O que você anda ouvindo?

O que eu ouço sempre: Raul Seixas, Black Sabbath, Iron Maiden...

Com o disco lançado, o que vocês vão fazer agora?

Espero que a gente consiga fazer muitos shows e se divertir muito!

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